Escolhas para senador geram embates e surpresas

A escolha dos candidatos para o Senado por ser o grande assunto da pré-campanha deste ano, principalmente no campo da situação. A chegada do vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, embolou o meio de campo.

No momento em que o governador Jorginho Mello bate a cabeça para formar sua chapa ao Senado — são três postulantes para duas vagas — vale relembrar algumas histórias de composições políticas em Santa Catarina nas últimas décadas.

2002: a força do segundo voto

Em 2002, Casildo Maldaner (MDB), então senador buscando a reeleição, e Paulinho Bornhausen (PFL), filho do senador Jorge Bornhausen — até então o maior cacique da política catarinense — lideravam com folga todas as pesquisas.

Quando as urnas abriram, porém, veio a surpresa: Ideli Salvatti (PT) e Leonel Pavan (PSDB), totalmente fora das cotações, foram os eleitos. Ficou evidente a força do segundo voto quando se renovam dois terços do Senado.

2006: Colombo e os “cabides”

Quando as urnas abriram, porém, veio a surpresa: Ideli Salvatti (PT) e Leonel Pavan (PSDB), totalmente fora das cotações, foram os eleitos. Ficou evidente a força do segundo voto quando se renovam dois terços do Senado.

Em 2006, quando Luiz Henrique chegou à primeira reunião da cúpula do MDB com o nome de Raimundo Colombo — então no DEM — para ser candidato a senador, as caras feias dominaram o ambiente.

— Logo o Raimundo, que dois anos antes tinha feito um vídeo, divulgado na televisão, chamando as Secretarias Regionais de cabides… — resmungaram os emedebistas.

Luiz Henrique, entretanto, já enxergava mais adiante. Sabia que, eleito senador, Colombo inevitavelmente levaria o MDB a apoiá-lo ao governo em 2010. Por precaução, escalou o velho amigo Casildo Maldaner — que perdera o Senado em 2002 — para a primeira suplência.

Conciliador, Maldaner tratou de apaziguar os ânimos. Enquanto isso, Pavan, senador pela Tríplice Aliança, renunciou para ser vice de Luiz Henrique — assumindo o emedebista Neuto de Conto — e Colombo acabou eleito ao Senado.
Em 2010, o plano se completou: Colombo virou governador e Casildo voltou ao Senado por mais quatro anos.

2010: Paulo Afonso x LHS e o voto no Paulo Bauer

Em 2010, na convenção do MDB, um episódio histórico. Com Colombo definido para governador e Eduardo Moreira — vencedor de uma prévia interna contra Dario Berger — como vice, as vagas ao Senado na Tríplice Aliança pareciam fechadas: uma para Luiz Henrique, a outra para o PSDB, que já anunciara Paulo Bauer.

Na véspera da convenção, porém, o ex-governador Paulo Afonso anunciou que também era candidato. Luiz Henrique esbravejou, a turma do “deixa disso” entrou em campo, mas não adiantou: a disputa foi para o voto. Para surpresa geral, Paulo Afonso fez 40% dos votos. Se a tropa de choque do governo não tivesse atuado, a situação poderia ter fugido do controle.

Na eleição, outra cena marcante. Muitos emedebistas, especialmente no Oeste, não engoliam Bauer no segundo voto, pela trajetória ligada ao antigo PDS, tradicional adversário. Diante de um “levante” ao petista Cláudio Vignatti, LHS lançou a frase lembrada até hoje:

— Se não votarem no Paulo Bauer, não precisam votar em mim.

Funcionou. Ambos foram eleitos.

2014: fortes emoções

A eleição de 2014 veio carregada de movimentos inesperados. Quando Raimundo Colombo foi candidato, o PSD trabalhou para atrair o PP para a coligação, oferecendo a vaga ao Senado ao deputado Joares Ponticelli. Mas seu nome, crítico ferrenho das administrações emedebistas, foi vetado por Luiz Henrique e seu entorno.

Do outro lado, Paulo Bauer era candidato a governador pelo PSDB, tendo Paulinho Bornhausen (PSB) ao Senado. Ainda faltava o vice.

Na véspera da convenção, parecia selada a participação do PP na chapa PSD–MDB. Outros nomes chegaram à mesa — Reno Caramori, Silvio Dreveck — mas a resistência era a Ponticelli.

E então veio a surpresa: Mauro Mariani bateu na mesa e lançou Dário Berger, ex-prefeito da Capital, para o Senado.

Durante a convenção, Edson Andrino também colocou seu nome, mas perdeu por 309 a 102.

A entrada de Berger desestruturou o PP. Na convenção oposicionista, aos gritos de “o campeão voltou”, Esperidião Amin foi anunciado vice de Paulo Bauer. Inflamado, disparou contra LHS:

“Mostramos que não somos idiotas, temos força e vamos lutar por uma nova Santa Catarina. (…) O Estado não pode ser apenas daquele senador mandão.”

Um dia depois, porém, Amin desistiu de ser vice e voltou à disputa para deputado federal. Coube a Ponticelli assumir a vice, com Paulinho Bornhausen ao Senado.

Resultado: Colombo reeleito no primeiro turno e Dário Berger eleito senador, mesmo enfrentando resistência interna no MDB.

2018: bastidores que mudaram a história

A eleição de 2018 poderia ter sido completamente diferente — inclusive a candidatura de Carlos Moisés, que acabou eleito governador, nem deveria existir.

O líder do bolsonarismo no Estado, Lucas Esmeraldino, queria ser candidato ao Senado. Em conversas com o então candidato do PSD, Gelson Merísio, admitiu ser vice, deixando a chapa ao Senado com Amin (PP) e Raimundo Colombo (PSD).

O acordo foi fechado no gabinete de Merísio. Esmeraldino e o grupo que o acompanhava — entre eles Moisés — foram comemorar no Outback.

No dia seguinte, foram informados de que estavam fora. Segundo relatos, a candidatura de João Paulo Kleinubing, a vice de Merísio, fora exigência de Amin.

— Merísio, que não queria perder Amin e o PP, rasgou o bilhete premiado — contou um participante das conversas.

Sem espaço, o PSL montou chapa própria: Moisés governador, Daniela Reinehr vice e Esmeraldino ao Senado.

O resto é história: Moisés venceu, Esmeraldinoficou em terceiro e Daniela hoje é deputada federal.

No outro campo, a costura foi simples. Jorginho Mello lançou-se candidato a governador, mas retirou a candidatura ao avançar a conversa com o MDB de Mauro Mariani. Napoleão Bernardes foi o vice.

MDB e Jorginho impuseram Ivete Apell da Silveira, viúva de LHS, como primeira suplente. Tal atitude envolveu os emedebistas na campanha. Jorginho venceu ao Senado em 2018, virou governador em 2022, e Ivete hoje é senadora da República.

2022: a onda que levou o Senado

A eleição de 2022, com a vitória do então desconhecido Jorge Seif (PL) sobre nomes tradicionais como Raimundo Colombo, Dário Berger e Celso Maldaner, surpreendeu muita gente — menos quem estava atento à força da onda Bolsonaro, ainda mais intensa do que em 2018.

Deputados estaduais e federais também foram eleitos nesse mesmo movimento, que varreu o Estado.

2026: onda ou tradição?

Com os nomes ainda sendo discutidos nos bastidores, a eleição ao Senado em 2026 promete emoções.

Carlos Bolsonaro, o migrante carioca, será mesmo candidato ao Senado por Santa Catarina?

Teremos nova onda? Ou será o retorno dos políticos tradicionais?

Se o passado for guia, emoções não faltarão.

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