Rejane Gambin vira ativo estratégico do Novo em meio às articulações de 2026

Vice-prefeita de Joinville, Rejane Gambin (Novo) escreve artigo para o upiara.net no Dia Internacional da Mulher

A vice-prefeita de Joinville, a jornalista Rejane Gambin, ganhou os holofotes nos últimos dias. O nome da vice foi citada na coluna do jornalista Gustavo Uribe, da CNN (leia aqui), como possível vice do pré-candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL). O nome foi especulado por dirigentes do PL  para suavizar a imagem junto ao eleitorado feminino, principalmente pela rejeição  das mulheres ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Nomes femininos de partidos aliados foram levantados. A senadora Tereza Cristina (PP) do Mato Grosso do Sul e ligada ao agronegócio é a principal favorita ao lado da também senadora Damares Alves, do Republicanos. As duas fizeram parte do primeiro escalão no governo Bolsonaro (2019-2022) e ambas tem uma forte linha conservadora.

O Novo fez questão de alardear o fato de Rejane ser citada nacionalmente. Aproveitou a oportunidade para potencializar seu nome, hoje o principal trunfo do partido para disputa na Câmara Federal. O Novo precisa eleger deputados federais para romper a cláusula de barreira e não correr risco de ficar mais uma vez com restrição de recebimento do fundo partidário e do tempo de televisão. Com apenas três deputados federais eleitos em 2022, o Novo pode não ser chamado para debates eleitorais.

Rejane também fez questão de se sentir prestigiada ao ter seu nome exposto no Brasil inteiro. Potencializa a sua presença como nova liderança. O caminho para candidatura à vice-presidência da república é remota. Trabalha, por enquanto, com força e estrutura do governo municipal para ser deputada federal. 

Nome natural a sucessão de Adriano Silva

Pesquisa Mapa em Joinville mostra cenário estável em relação a março e consolida favoritismo do prefeito Adriano Silva (Novo) para reeleição

Rejane tem outro caminho que não depende dela. O prefeito Adriano Silva está cada vez mais pressionado a lançar-se como pré-candidato ao governo do Estado. O Novo vê a candidatura como certa. Adriano resiste, mas passou a adotar a fala que é um “soldado do partido” ou “faz parte do time”. O prefeito nunca mostrou disposição em ser candidato e tem predileção em apoiar o governador Jorginho Mello. Porém, caso seja candidato, Rejane herda a prefeitura para cumprir mandato até 2028 em uma sucessão que hoje é natural. 

Rejane coloca nas mãos de Deus a decisão

Em entrevista na última quinta-feira (18) na 89 FM da qual participei, Rejane se mostrou tranquila com as possibilidades. Diz estar preparada e não perde o sono. “Só coloco nas mãos de Deus o que será  o meu futuro”, responde. Reconhece as remotas chances da candidatura à presidência, porém, considera a possibilidade de ser prefeita em definitivo uma grande oportunidade. Acredita no crescimento do protagonismo feminino. O fato é que a sintonia entre o prefeito e a vice é total, o que deixaria Adriano confortável para uma renúncia ao cargo em abril de 2026 e encarar a disputa estadual.

Movimentos silenciosos podem ser estratégia para 2026

Uma série de movimentos silenciosos tem feito muita gente acreditar que Adriano Silva tem pensado muito na candidatura e no ano de 2026. Como sempre tem colocado a vice-prefeito em projetos importantes e a frente de algumas ações prepara o campo para ser substituído sem muitos problemas. Neste ano enviou uma série de projetos para aprovação da Câmara de Vereadores, numa clara estratégia de limpar a pauta e não ter discussões difíceis com o legislativo no próximo ano, quando os holofotes a partir do segundo trimestre estarão voltados à eleição estadual. 

PL abre processo para expulsão de Profeta

O capítulo PL x Cleiton Profeta continua quente. Na sexta-feira o deputado estadual Maurício Peixer, presidente municipal do PL,  instaurou um processo disciplinar contra o vereador, um dos principais críticos do governo Adriano Silva. O processo disciplinar pode causar a expulsão de Profeta do partido que tenta alinhar-se com Adriano. A missão é um pedido explícito do governador Jorginho Mello (como já falamos na coluna) que sonha com o apoio do prefeito para facilitar sua reeleição. O vereador oposicionista foi pesado em suas redes sociais: “É a velha política em sua forma mais pura com conchavos  acima dos princípios”. O deputado Maurício Peixer disse que agora o vereador tem cinco dias para se defender. A decisão ficará para início de 2026. 

Objetivo é um só: aproximar-se de Adriano

Adriano Silva e Jorginho Mello
Adriano Silva e Jorginho Mello tem mostrado relação boa e promessa de obras na cidade

O objetivo do PL é claro. Aproximar-se de Adriano e evitar sua candidatura ou uma coligação com o PSD que tem o prefeito de Chapecó João Rodrigues como pré-candidato. Jorginho faz gestos para Joinville como anúncio de ampliação do Hospital São José, possível estadualização do hospital e verbas para obras. Tudo dentro do pedido do prefeito ao governo do Estado, que considera tarefa até “fácil” de cumprir no acordo prévio com Adriano Silva. 

Economistas cautelosos com economia global para 2026

Em relatório da gerência de Finanças Corporativas e Economia da Sicredi sobre “O que esperar de 2026”, divulgada na semana passada da qual a coluna teve acesso, apontam que o próximo ano deve consolidar um cenário de desaceleração do crescimento global, com inflação ainda resistente em serviços e juros elevados por mais tempo nas principais economias. O relatório aponta que o mundo entra em um ciclo de crescimento mais fraco, impactado pela normalização pós-pandemia, pelo aumento do endividamento público e pelo recrudescimento do protecionismo comercial, especialmente a partir dos Estados Unidos.

O chamado tarifaço norte-americano surge como elemento estruturante do cenário, elevando custos, pressionando margens das empresas e reconfigurando cadeias globais de produção. Ao mesmo tempo, a China deve crescer menos, reduzindo o impulso tradicional sobre o comércio mundial e sobre as commodities.

Brasil entra no ano da cautela

Os economistas acreditam que cenário doméstico, o Brasil deve registrar crescimento moderado do PIB, em torno de 2%, sustentado principalmente pelo agronegócio e pelo mercado de trabalho ainda aquecido. A inflação tende a ficar no patamar de 4% em 2026 (IPCA), mantendo a Selic elevada, com projeção de encerrar 2026 em torno de 12,5% ao ano contra 15% deste ano.

O relatório aponta que o ambiente fiscal será o principal ponto de atenção, exigindo disciplina e previsibilidade em um ano marcado por volatilidade política e pré-eleitoral. A taxa de câmbio deve permanecer pressionada, refletindo tanto o cenário externo quanto o risco fiscal interno. Pelos números do relatório o dólar em 2026 deve ficar na casa dos R$ 5,60, não ultrapassando a casa dos R$ 6,00 como foi em 2024.

Boas festas e até 2026

A coluna entra em recesso e retorna dia 05 de janeiro. Até lá.

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