Leite pressiona, Congresso entrega – semana quente no agro

Na semana em que o Senado aprovou a PEC do Marco Temporal e o Congresso retomou o protagonismo nas pautas fundiárias e rurais, o campo catarinense voltou os olhos para uma batalha local que já dura meses: a crise do leite. Ainda não temos uma solução definitiva, mas há reação concreta.

Importações despencaram 75% em SC, resultado de uma combinação de medidas estaduais e pressão política em Brasília. E, nesta sexta-feira, a coluna faz um giro completo: da audiência da deputada Daniela Reinehr ao lado de vereadores de Xaxim com o governador Jorginho em Brasília, às novas diretrizes da Epagri, passando pelas vitórias no Congresso que mexem com transporte, crédito, tributação e cooperativismo.

O agro está em movimento e a semana fecha com recados contundentes.

Estado reage e importação despenca

A importação de leite em Santa Catarina caiu 75% desde que o Estado começou a adotar medidas concretas de enfrentamento à crise. O número é consequência direta do pacote de ações implementado após meses de pressão dos produtores.

Entre as medidas estão a suspensão de incentivos fiscais para empresas importadoras, a construção do Laboratório do Leite em Pinhalzinho e investimentos via programa Terra Boa.

SC coloca dinheiro, política e estratégia na mesa pelo leite

A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) reuniu, na quinta-feira (4), lideranças do setor leiteiro, parlamentares e representantes da Epagri e da Cidasc para discutir os gargalos e as oportunidades da cadeia produtiva do leite em Santa Catarina.

O encontro ocorreu na sede da Epagri e teve como foco ampliar a competitividade do setor, reduzir impactos das importações e estimular o consumo interno.

Santa Catarina é o 4º maior produtor de leite do Brasil, com mais de 24,5 mil produtores e produção anual de 3,3 bilhões de litros, o equivalente a 9% da produção nacional. O secretário da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini, destacou que o Estado aposta em políticas públicas estruturantes para agregar valor à cadeia:

“Estamos em um trabalho intenso com o setor produtivo e lideranças na busca de soluções para conquistarmos um melhor momento para esse mercado. O Governo do Estado está fazendo a sua parte, ouvindo a cadeia leiteira e avaliando a viabilidade das propostas apresentadas.”

Em 2025, o Governo do Estado já destinou mais de R$ 216,3 milhões em apoio direto ao setor leiteiro, beneficiando mais de 49 mil produtores. O destaque é o Programa Leite Bom SC, que reúne o Pronampe Leite SC e o Financia Leite SC, com R$ 150 milhões previstos entre 2024 e 2026 para subsidiar juros e conceder financiamentos sem juros via Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR).

Além disso, outros R$ 150 milhões serão destinados a incentivos tributários escalonados à indústria leiteira catarinense, somados a medidas como a suspensão de benefícios para importação de leite e derivados — decisão que já trouxe resultado: as importações caíram quase 75%, passando de R$ 512,5 milhões para R$ 135,2 milhões, segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF/SC).

A cadeia também conta com o Programa Terra Boa, voltado à melhoria das pastagens e ao aumento da produtividade, além de rigorosos controles de qualidade, inspeção e rastreabilidade do leite produzido no Estado. O recado do governo é claro: menos improviso, mais política pública — e o leite como prioridade estratégica.

Deputada cobra urgência para votação do PL 4309

Em Brasília, a deputada federal Daniela Reinehr (PL-SC), acompanhada de vereadores de Xaxim, se reuniu com o governador Jorginho Mello, que estava na capital federal, para reforçar o pedido de urgência na votação do PL 4309/2023, de sua autoria, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado.

A parlamentar foi enfática:

“Não podemos continuar competindo em desvantagem com produtos que chegam subsidiados e desmontam nossa cadeia produtiva”.

O governador, por sua vez, reiterou que a defesa da cadeia leiteira catarinense é prioridade da sua gestão.

Projeto de Zé Trovão atualiza regras de pesagem

Sob relatoria do deputado Zé Trovão (PL-SC), a Comissão de Viação e Transportes da Câmara aprovou na quarta-feira, 10, projeto que moderniza as regras de pesagem de veículos de carga.

A proposta reduz punições indevidas e alinha a fiscalização à realidade do transporte agroindustrial, garantindo mais segurança jurídica para caminhoneiros e operadores logísticos.

Dívidas rurais: novo marco avança na Câmara

A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou, também na quarta-feira, o texto substitutivo apresentado pelo presidente da CAPADR, Pedro Lupion (PP-PR), que atualiza os procedimentos de prorrogação e renegociação de dívidas rurais.

A proposta visa garantir maior previsibilidade e acesso ao crédito para produtores em situação de inadimplência — problema agravado pelas perdas climáticas e queda de preços em 2023 e 2024.

Tributação do arrendamento rural em debate

A Câmara também avançou no debate sobre a mudança na tributação do arrendamento rural. O objetivo é corrigir distorções que penalizam agricultores arrendatários, além de adequar a legislação à realidade das novas formas de parceria no campo.

Coopera Agro SC vira lei e inaugura nova era para cooperativas

Foi aprovado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) o projeto que cria o Programa Coopera Agro SC. A iniciativa fortalece as cooperativas agroindustriais do estado, amplia a competitividade e estimula novos investimentos.

O secretário da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini,comemorou:

“O Coopera Agro SC marca um novo patamar de apoio ao agronegócio catarinense. Estamos criando um ambiente mais favorável para que agricultores, cooperativas e agroindústrias possam investir com segurança e crescer. É um programa que moderniza o acesso ao crédito, fortalece quem produz e garante mais renda e oportunidades no campo. Santa Catarina passará a contar com um programa inovador, que certamente será referência para o país”.

Já o governador Jorginho Mello destacou que o programa “valoriza quem produz e movimenta a economia de verdade, gerando emprego e renda no interior”.

A coordenação do programa é da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), com apoio da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan).

Pezenti é o “Deputado do Agro 2025”

Reconhecimento simbólico, mas com peso político: o deputado federal catarinense Rafael Pezenti (MDB-SC) foi eleito, por unanimidade, o parlamentar mais atuante da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados, em 2025.

A homenagem, entregue na quarta-feira (10), consagra sua atuação firme na defesa da agricultura familiar, da produção nacional e da segurança jurídica no campo.

“A agricultura para mim não é bandeira de mandato, é missão de vida. Tenho muito orgulho do barro que tenho embaixo da unha. Meus pais ainda são pequenos agricultores, e é por tantos quanto eles que eu luto aqui no Congresso’, disse.

O prêmio da CAPADR reforça a ascensão de Santa Catarina no debate nacional do agro e o protagonismo de vozes que não gritam, mas trabalham.

Agro em movimento, Estado em alerta

A semana termina com o agro catarinense em plena ebulição. Se Brasília trata de leis e PECs, Santa Catarina lida com a vida real dos produtores: leite barato, margens apertadas, crédito difícil.

Mas há reação. O Estado se mexe, o Assembleia aprova, e o campo continua produzindo – apesar dos pesares.

A coluna Política & Agro acompanha de perto. E segue junto de quem trabalha de quem produz e sustenta este país.

Bom fim de semana, agroamigos!

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